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AOR, Hard Rock, Melodic rock

segunda-feira, 1 de abril de 2013

ROCKIN' INTERVIEWS - Auras



Em 2010 tivemos uma grande surpresa com o lançamento de "New Generation" da banda Auras de Curitiba. A gravadora italiana Frontiers Records acertou em cheio e contratou os brasileiros para dois álbuns, um deles em pleno processo de gravação. "New Generation" agradou público e crítica em diversos países e, surpreendentemente, pouco disso é divulgado na mídia do Brasil. Para se ter uma ideia do talento dos curitibanos, até Jimi Jamison (Survivor), Bobby Kimball e Fergie Frederiksen (Toto) já gravaram músicas feitas pelo Auras. Como o papo foi longo, resolvi dividir em duas partes esta entrevista com Gui Oliver, vocalista deste novo orgulho do rock brasileiro.  (Denis Freitas)
                                                    
ENTREVISTA (Part I)

Parabéns pelo cd! Mesmo passados três anos, ainda fico impressionado quando ouço as músicas do “New Generation”, tem muita qualidade. Como tem sido a repercussão em outros países? Vocês já tocaram fora do país? Recebem propostas?

Obrigado, mas é muito estranho cara. Gravamos o cd, fizemos uma coisa bacana, mas a galera não valoriza muito, principalmente aqui em Curitiba. Demos muitas entrevistas para fora, Estados Unidos, Alemanha, rádios... foi bem legal, ainda recebemos vários emails perguntando sobre o novo cd. Quase fui para o Melodic Rock Fest, mas acabou ficando em cima da hora, é difícil por conta de que ainda não somos uma banda completa...

Com respeito à formação da banda, gostaria que esclarecesse esse “mistério”. No encarte aparecem apenas você, o Ferpa Lacerda (guitarra) e o Edu Sallum (bateria). Fale um pouco dos músicos e da formação da banda.

Sim (risos), eu era guitarrista, mas comecei a cantar na banda que eu tinha, sofri um pouco, mas agora me sinto mais à vontade. O Fernando (Ferpa) era baterista, mas virou guitarrista, pois era muito difícil transportar a bateria (risos). O legal é que nossas ideias batem e a gente se dá bem. Também temos o Matheus que é um guitarrista muito bom, então ele é quem fez os solos. E tem o Edu Sallum na bateria, que já não está mais com a gente. Quando decidimos gravar, foi difícil formar a banda, tivemos que ir atrás de outros músicos. O Matheus gravou a guitarra e depois conhecemos o Edu, que gravou a batera. Aparecem apenas os três (eu, Ferpa e Edu) na foto, pois foram os que investiram mesmo na banda.


Ferpa, Gui e Edu
Como começou a banda?

A gente tinha uma banda cover chamada I ON U, tocávamos músicas do The Storm, as pessoas gostavam e achavam que era música nossa (risos), mas eu sempre gostei de compor e parecia que aquilo não era suficiente para gente.

Todos os instrumentos são brilhantemente executados e pensados nos mínimos detalhes no cd. Porém, os teclados me chamaram bastante atenção. Eles estão por toda parte em diversas camadas nas músicas, em arranjos muito bem feitos, com muito capricho e variação. Foi o Filipe Beyer o responsável?

Começamos a compor e sempre fomos muito “chatos”, com atenção nos detalhes, é tudo pensado mesmo, tem coisas que a gente escutava e reparava “olha, o produtor fez isso aqui...” e tal.
Quanto ao tecladista Filipe Beyer, sim, o cara é muito bom, ele toca em uma igreja daqui, faz gravações, só que é um cara de estúdio, infelizmente. A gente quis ele na banda, mas sabemos que não é possível. Apesar de ele ter colaborado com várias ideias, tivemos que guia-lo, pois ele é de uma escola diferente. Não só com ele, mas também demos direcionamento ao Matheus e ao Hemerson (baixo), pois não é o estilo deles. Mas o Felipe é muito bom e colaborou com muitos sons legais nas músicas.

As letras das músicas são muito bem escritas e, mesmo que não fuja de temas de amor, até por causa do estilo, você consegue usar modos diferentes de escrever.

Eu escrevi todas as letras e as músicas eu fiz em parceria com o Fernando. Foi legal escrever estas letras, mas a gente amadurece, para o novo disco estou com novas ideias para letras, penso que se vou deixar um trabalho gravado, que seja algo relevante. 

                                            Clipe de  "Beauty of Dreams"


Como é a cena em Curitiba?  Tem espaço para tocar? 

Aqui ainda tem aquilo de que “banda de som próprio” não é legal, então é meio complicado. Aqui para a gente é muito difícil, às vezes abrimos para algumas bandas, em bar eu até entendo que seja mais difícil, afinal é o negócio do cara... O ano passado abrimos para o Petra no MasterHall aqui em Curitiba, tinha muita gente, só que foi um problema porque não éramos do mesmo estilo que eles e sentimos uma certa hostilidade.

Como foi o contato com a Frontiers Records?

Bem, a Frontiers não recebe material de ninguém, eles escutaram nossas músicas no My Space e nos ligaram pedindo que enviássemos material para eles. Após um mês, nos enviaram um e-mail e o próprio Serafino nos ligou, foi meio surreal (risos). Mas eles são muito antenados, se você tiver um material bom e divulgar, eles vão acabar te encontrando.  

Vocês já tocaram em São Paulo ou Rio de Janeiro?  Gostariam?

Ainda não tocamos em São Paulo ou Rio de Janeiro, mas gostaríamos sim. Além do nosso problema de formação, tivemos um problema sério com a distribuição de cds para divulgação. Nós iríamos receber cerca de 200 cds para divulgar, mas o material chegou e ficou preso na Receita Federal. Tentamos pedir ajuda da Frontiers, mas foi complicado, pois precisávamos que não tivessem as caixas dos cds e a gravadora disse que sem a caixa e o selo não era possível, então acabou que não conseguimos trazer cds para divulgar. Mesmo tentando através da Receita Federal, explicando que temos uma banda e que era material de divulgação com documentação, contrato e tudo, eles não liberaram. Tentamos lançar o trabalho aqui através da Helion Records, mas acabou não dando certo. Então tudo isso torna as coisas difíceis para tocarmos.
Recebemos várias críticas positivas do mundo todo, mas você acaba ficando engessado para fazer qualquer coisa, então muita banda acaba lançando cd por conta própria, ficando com mais controle das vendas, acho que o rumo vai ser esse. Hoje temos facilidade de gravar, inclusive montamos nosso próprio estúdio.

GUI OLIVER
Para mim, o cd de vocês é um dos melhores do estilo já feitos no Brasil. Não me lembro de ouvir um cd tão bem executado e gravado no estilo mais AOR/Melodic Rock. Do mesmo nível só me lembro do Silent e também do álbum do N.O.W., lançado no mesmo ano que o de vocês.

Sou amigo dos caras do Silent. Quando o Gustavo (vocal) saiu da banda e foi morar nos EUA, o Tilly (baterista) me chamou e gravamos umas demos para o que ia ser o segundo disco. Fui para o Rio gravar, mas no fim as coisas deram uma esfriada. Então o Gustavo voltou dos EUA e eles montaram uma banda chamada Repplica, com letras em Português. Os caras são muito bons... O guitarrista Alexandre faleceu nas enchentes do Rio de Janeiro. Fiquei muito triste quando soube da morte do Alexandre, tinha ficado na casa dele quando fui ao Rio, era um grande músico. Eu estava até pensando em regravar algumas músicas do Silent, pois aquilo é muito bom e tão pouca gente conhece...

                                                           Em breve - part II
  • Auras AOR Frontiers Records                                                          

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