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AOR, Hard Rock, Melodic rock

domingo, 9 de março de 2014

ROCKIN' INTERVIEWS - Vinny Burns (Three Lions/Dare)

VINNY BURNS

Há tempos que eu queria conversar com Vinny Burns, guitarrista britânico que admiro bastante por seus ótimos trabalhos, principalmente com DARE e TEN. Além disso, ele também já tocou com a grande banda ASIA nos anos 90. Alguns meses atrás o nome de Vinny ressurgiu na divulgação de uma nova banda, THREE LIONS, com Greg Morgan na bateria e Nigel Bailey nos vocais. Pelo que se ouve nos trechos das músicas de divulgação, será um álbum de qualidade e promete bastante. Entrei em contato com Vinny, que prontamente me atendeu e deu vários detalhes do álbum. Espero que gostem! (Denis Freitas)

ENTREVISTA

Olá Vinny. Você gravou o THREE LIONS em seu estúdio?

Oi Denis, sim, eu gravei todas as guitarras no meu estúdio Viper Room. Eu tenho vários amplificadores grandes e antigos aqui e posso usá-los bem alto e obter os sons clássicos. A ideia para mim era para fazer um álbum de sonoridade bastante moderna com um equipamento “old school”. Dois amplificadores Marshall vintage dos anos 70 para guitarra rítmica e um velho Mesa Boogie de 1988 para solos. Usei minha Les Paul de 78 principal para 95 % de tudo lá. Tive uma ideia anos atrás de fazer isso e eu sabia por tocar esse tipo de equipamento em casa que seria possível usar este equipamento velho clássico para obter um álbum de sonoridade moderna.
Não foi muito diferente de como eu tirei os sons de “Blood From Stone” com DARE, só que eu voltei para o som de solos de “Out Of The Silence”.

Alessandro Del Vecchio produziu. Por que você não foi o produtor?

Foi a Frontiers Records e Ale que surgiram com a ideia de juntar Nigel e eu. Então partiu daí no que diz respeito à produção. Funcionou muito bem. Ale nos deixou sozinhos para começarmos as coisas. Ele entrou em jogo quando ele não estava feliz com certas coisas em um arranjo como uma parte que precisava cortar. Ele também trabalhou em todos os vocais e backing vocals com Nigel em Milão. Não foi uma situação onde você teve um produtor no seu pescoço o dia todo, eu só fui ao meu estúdio sozinho e fiz as guitarras e teclados como os ouvi. Eu mandava um mp3 para os caras e Ale para ver o que eles pensavam. Ele iria dizer sim ou não. Eu tenho feito isso por tempo suficiente para saber como fazer um álbum, mas, às vezes, você acaba indo pelo caminho errado e precisa de alguém para orientá-lo de volta ao caminho.
Uma vez que terminamos as gravações, enviamos a Ale todos os arquivos e ele acrescentou alguns de seus teclados. Especialmente quando um tecladista 'de verdade' foi exigido. Para minha surpresa ele manteve a maior parte dos meus teclados. Eu pensei que ele iria substituir tudo (risos).
É sempre bom ter alguém de fora produzindo, pois eles podem ver as coisas muito mais claras do que a banda. Quando você está chegando ao fim de um álbum, você tem uma “visão de túnel” e é bom ter perspectiva de manter as coisas nos trilhos. Ale também é fantástico para motivar pessoas. Ele está sempre feliz e positivo, o que é necessário. Ele aceita todas as ideias e nunca deixa de fazer por qualquer coisa, mas ele pode ser firme quando precisa ser.


Pelo que se pode notar na divulgação, o álbum tem algumas guitarras bem altas e mais rápidas. Estamos acostumados a ouvir os seus riffs e solos melódicos e de certa forma "calmos"...

Existe uma grande quantidade de luz e sombra neste álbum. Nós cobrimos tudo o que queríamos cobrir. Baladas suaves ao hard rock. Está lá. Tudo isso soa como THREE LIONS, mas tem uma grande variedade.


Nigel Bailey tem uma voz muito legal, alcançando notas mais altas e sua voz é talvez mais potente do que as de Darren Wharton ou Gary Hughes, que também têm vozes muito boas, mas diferentes. Isso te dá mais opções para compor? Qual o histórico dele?

Nigel é um cantor de nível mundial. Ele realmente é. Eu não quero compará-lo com Darren ou quem quer que seja. Não há necessidade. Ele não substituiu ninguém em uma banda anterior. Esta é uma nova banda e Nigel é, definitivamente, do mais alto nível como vocalista. Quando eu ouvi pela primeira vez a sua voz eu pensei: “Onde ele estava há 20 anos quando eu estava procurando começar uma nova banda após o DARE? (risos)”. As coisas acontecem do jeito que acontecem e aqui estamos nós, 20 anos depois, THREE LIONS. Eu honestamente não posso entender como ele nunca foi descoberto antes. Ele tem uma grande voz. É como uma espécie de desafio do rock'n'roll para ele no momento ter que acelerar neste fim da indústria da música, mas ele toca há muitos anos, então ele sabe como trabalhar com o público e tem um desempenho de primeira classe. Todos nós aprendemos a nossa arte em pubs e clubes do norte ao sul do país. É onde você experimenta praticamente todas as situações que se apresentam em turnês maiores. Ele fez tudo isso e sabe o que está fazendo quando ele está lá em cima. Nós não abordamos as coisas de forma diferente do que qualquer um faria normalmente. Inicialmente, nos sentamos para uma xícara de chá e discutimos como queríamos que soasse. Acho que foi importante, pois tínhamos uma visão do que queríamos e as coisas evoluíram daí. Nós jogamos algumas ideias e todo mundo mostrou o que tinha. Muito rápido e muito espontâneo.


THREE LIONS - Greg Morgan, Nigel Bailey e Vinny Burns
A indústria da música em geral, especialmente para o hard rock, é muito difícil hoje em dia. Quais são as suas expectativas com o álbum?

Eu nunca tenho quaisquer expectativas do que um álbum vai fazer. Tudo o que você pode fazer é colocar 100% em e ficar feliz com o que você criou e, depois disso, está tudo fora de seu controle. Eu tenho um instinto sobre as coisas. Eu sabia que tinha um grande álbum em “Out Of The Silence” com DARE. Mesmo com o primeiro álbum do TEN. Você sabia que havia algo de especial, mas também senti sobre o álbum do BURNS BLUE. Foi o meu favorito desde “Out Of The Silence”, mas a gravadora faliu no Reino Unido algumas semanas do lançamento e nunca aconteceu nada. Pelo o que eu entendo, contanto que você esteja feliz com todo o álbum e você conseguiu o que você queria alcançar, então você pode viver com ele, não importa o que aconteça. Se você tentar adaptar o seu álbum para as tendências atuais e o álbum não dá certo, você nunca sabe o que poderia ter acontecido se você tivesse sido fiel ao que você realmente queria. Eu tenho um sentimento muito bom sobre este.

Você tocou com a ASIA entre 92 e 93. Como foi a experiência para você? Do nosso ponto de vista aqui eles parecem ser uma banda muito grande. Você sentiu isso? Houve alguma pressão?

O ASIA foi fantástico. Era uma banda enorme para entrar na época. Eu viajei por todo o mundo com o ASIA e foi uma experiência fantástica. Acho que houve muita pressão no momento, mas você acaba lidando com isso e segue em frente. Os caras da banda eram ótimos. Tivemos um mês de ensaio antes de iniciar uma turnê mundial começando no Japão, Rússia e Europa na sequência e, em seguida, fizemos algumas turnês norte-americanas e canadenses. Bons tempos. É um mundo tão pequeno. Geoff queria produzir o primeiro álbum do DARE. John conhecia um monte de gente que eu conhecia e Mike Stone era um amigo em comum também. Fizeram-me sentir muito bem-vindo e foi um grande momento.


Vinny em show nos EUA com o ASIA

Um tempo atrás eu falei com Darren Wharton sobre o novo álbum do DARE. Vocês estão trabalhando juntos? 

Eu não tenho trabalhado em nada no novo álbum DARE. Darren está atualmente terminando um filme que ele está fazendo e está ocupado fazendo isso no momento.

Novas bandas britânicas como o VEGA têm feito coisas muito boas e hoje em dia você produz bandas em seu próprio estúdio. Você conhece alguma nova banda de hard rock mais atual que poderia mudar o jogo e talvez trazer de volta o rock para a grande mídia?

Bem, para ser honesto, meu estúdio é o meu próprio estúdio privado. Eu recebi meus bons amigos do THE BEAUTIFUL SLEAZY para gravarem seu álbum debut um tempo atrás. Eu produzi para eles, mas foi um favor porque eles são amigos. Eles tiveram o álbum e eu consegui testar se tudo no estúdio estava funcionando corretamente. É muito bom ver novas bandas surgindo e melhor ainda que estão sendo apoiados e aparecendo. Gosto dos caras do VEGA. Tomei algumas cervejas com eles ao longo dos anos. É realmente bom ver a próxima geração que são tão apaixonados pela música que eu cresci ouvindo. Alguém novo para carregar a tocha e levá-la para diferentes públicos.

quarta-feira, 5 de março de 2014

ROCKIN' CHATS - Nick Workman (VEGA)

Saiu no último domingo em nosso canal no YouTube (BRM123ROCK) o ROCKIN' CHATS de número 6 com Nick Workman, vocalista do VEGA. A partir de agora o ROCKIN' CHATS será feito em áudio (no YouTube) e escrito aqui na página, já que não disponho mais de tempo para fazer as legendas. Portanto, quem quiser conferir o áudio, ainda terá a opção como antes e quem quiser conferir a entrevista por escrito, encontrará aqui.  Espero que gostem! (Denis Freitas


ENTREVISTA

Oi Nick!
Oi, como vai?

Estou bem.
Legal, legal.

Muito obrigado por atender. Onde você está agora?
Estou em minha casa, que é próxima a Birmingham.

Birmingham, ok. Ótimo.
Bem, é o lugar mais conhecido para as pessoas saberem.

O que tem feito ultimamente?
Estamos concentrados no terceiro álbum.

Sim, eu vi você dizer que tem músicas suficientes para 3 álbuns. Como vocês escolhem as músicas? Deve ser um inferno...
Sim, é um pouco, mas você chega a um ponto onde sente o álbum e que músicas você precisa. Eu perdi as contas de quantas vezes dissemos: “Essa é a melhor música que fizemos!” Tem uma música que na verdade escrevemos antes de “What The Hell!” e ficou de fora do álbum. Chama-se “Tears Never Dry”, é tipo uma balada épica sobre a guerra...
Mas não sabemos se entrará desta vez ou iremos guardar novamente para outro álbum, eu não sei. Esta é a música mais velha que fizemos há alguns anos. O resto é tudo novinho.

Ótimo. Eu já disse ao James o quanto gosto do seu último álbum "What The Hell!", li vários bons comentários dele por todo lugar. O ano de 2013 foi até agora o melhor ano para a banda?
Sim, eu diria, mas foi outro ano difícil nos negócios porque o selo na Suécia, temos contrato com o selo na Suécia, que é o selo principal. Era para o álbum ter sido licenciado para outros territórios, eu não sei o que aconteceu, mas algo foi deu errado. E só saiu pela Escandinávia e Reino Unido, na Alemanha só tinha o importado e o resto do mundo não teve um lançamento oficial, então deu tudo errado. Na verdade ontem... eu conheço bem o cara que cuida do selo, então conseguimos sair do contrato com as gravações originais de “What The Hell!” para podermos relançá-lo. Então o ano foi ótimo em termos de publicidade que tivemos estando na Classic Rock Magazine, a turnê com o FM, boa cobertura de imprensa e tocando, isso foi ótimo. Mas poderia ter sido muito melhor se repetíssemos esse sucesso em outros países. Mas, dito isto, ainda estamos crescendo, acho que vendemos mais álbuns do que imaginávamos, então vamos continuar a crescer e nos concentrar no álbum número 3 agora.

Bom. Quando vocês finalizaram o álbum “What the Hell!”, vocês sentiram que tinham um álbum tão bom?
Sim, definitivamente. Quando íamos ao estúdio nos sentíamos muito confortáveis com as músicas... Já disseram isso muitas vezes, mas quando você está em estúdio, a primeira pessoa que você tem que agradar é você mesmo. Você não pode compor para agradar outras pessoas, você não sabe o que irá agradar os outros. Sabe, um “Hysteria” é para uns o que “Cherry Pie” é para outros.

Vocês fizeram uma tour com o FM. Steve Overland está em grande forma, você o assistiu? Você costuma assisitir outros cantores para aprender?
Sim, não conseguíamos ver todas as noites. Mas eu conversava com o Steve quando o via nos shows. Via o que ele fazia antes de subir ao palco, ele faz gargarejo com TCP. Você tem TCP aí no Brasil? É como um antisséptico e fede! Ele faz gargarejo disso por 40 minutos antes de subir ao palco para aquecer. Antes de começar eu apenas rio e estou pronto. Eu sou adepto do pensamento do Bruce Dickinson, eu vi em uma entrevista há muitos e muitos anos na qual ele diz que não aquece, pois ele diz que a voz é como um carro e você tem um certo limite de milhagem no marcador, então porque você cantaria para as paredes?

E quais são seus cantores favoritos?
Cantores... vai ser uma lista. Se eu começar, em termos de inspiração, o que me fez querer cantar foi Joe Elliot (DEFF LEPPARD), mas minha voz não é parecida com a dele, mas também acho que ninguém tem a voz dele, é original. Na verdade eu iniciei e melhorei meu alcance cantando Sebastian Bach, “Slave To The Grind”. Então fui para Ray Gillen, BADLANDS. Uma banda chamada CATS IN BOOTS, tinha o cantor chamado Joel Ellis, que tinha uma banda chamada HEAVY BONES, eu também adoro o que ele fez. E tem cantores mais atuais, Myles Kennedy e adoro James Michael do SIXX A.M. E mesmo Jared Leto do THIRTY SECONDS TO MARS eu acho que tem uma ótima voz. Então aí está uma lista eclética para você.

Sim e aparece em seu modo de cantar. E acho que o VEGA tem esse som muito original, vocês tem muitas influências e isso é ótimo, é bom para a música.
Sim, definitivamente. Não temos medo de nos inspirarmos em DURAN DURAN, A-HA, INXS, THE KILLERS ou qualquer um desses. As pessoas pensam: O que? Como pode eles não serem influenciados por WHITESNAKE, POISON ou DEF LEPPARD? Nós falamos abertamente que não somos apenas influenciados por AOR ou  Melodic Rock.

O que vocês estão fazendo é ótimo porque vocês abrem as mentes das pessoas. Sempre tem uma banda que a gente começa a ouvir e pensa: “Eles fazem algo diferente, é estranho, mas eu gosto” e então você passa a gostar e acho que acontece com o VEGA...
Acredite em mim, Rock é meu tipo preferido de música, eu escuto todo dia. Não passo uma hora sem ouvir algum tipo de rock e é minha paixão, mas você precisa ouvir todas as formas de rock. Você precisa colocar temperos diferentes. É isso que tentamos fazer, usamos diferentes sons de teclados, canto de maneiras diferentes e não cantamos sobre “corações partidos no boulevard dos sonhos” ou algo assim, tentamos variar isso também, tentamos fazer as coisas diferentes. Mas também não nos vemos como algo tão diferente. Vemos bastante coisas tipo: “VEGA tenta fazer algo diferente” e penso: “Sério? É tão diferente?” Eu não sei, deve haver algo que seja bem diferente. Mas o que eu posso dizer? Estamos felizes assim.

Sim, eu acho que você tem sorte. As bandas hoje em dia soam tão parecidas.
Sim, e também ter pessoas que têm opiniões fortes, os que adoram ou odeiam é melhor do que as que dizem “Sim, eles são ok”. Porque uma banda que dizem que são “ok” nunca irá a lugar algum, pois você precisa de pessoas que tenham paixão pela banda e também terá as pessoas que odeiam passionalmente a banda...

Sim, do contrário você será mediano e vocês não querem isso...
Sim, exatamente.    

Como você começou a cantar?
Foi por volta de 1987, quando saiu "Hysteria", "The Final Countdown", WHITESNAKE "1987", "Slippery When Wet" fazia pouco tempo que tinha sido lançado, "Appetite for Destruction" do GUNS N' ROSES. Não havia como não ser inspirado a fazer música rock naquela época, estava na sua frente. Então comecei a cantar esses na época e várias bandas, na escola e tal. E enquanto alguns amigos enjoaram daquilo eu ainda tinha a paixão para fazer. E aí comecei a cantar "Slave To The Grind", principalmente a última faixa "Wasted Time". E eu não conseguia chegar perto ao que Sebastian Bach fazia... E fiquei tentando várias vezes cantar aquela música, por seis meses, detonando minha voz e finalmente consegui fazer mais ou menos o que ele fazia. E depois... A vida toda eu só tive 4 aulas de canto. 

Nossa! E sobre o novo álbum, você acha que as estruturas e modo de composição das músicas seguirão de algum modo o estilo de "What the Hell!"?
Sim, tem a mesma pegada novamente. É provavelmente mais um passo para o VEGA se tornar o que realmente é. Não sei explicar direito... Sempre que terminamos uma música, pensamos: "Esta é prima daquela música", então "Into The Wild", sua prima seria "Hands In The Air" , elas tem o mesmo tipo de clima, então sempre pensamos assim. Temos uma música que soa como "White Knuckle Ride" multiplicada por mil!, com aquele tipo de clima, porém maior, melhor e mais monstruosa! (risos)

Desse jeito todos vão ficar bem curiosos sobre o novo álbum! (risos)
Uma coisa ruim que aconteceu com "What The Hell!" foi que vazou na Internet 4 meses antes e foi horrível. Dessa vez não vamos divulgar informações das gravações ou postar fotos do estúdio.

Nick, muito obrigado!
Foi bom falar com você!